20 de dez. de 2011

...almas

Além de roupas novas
cargos garbosos
e conta no banco
deveríamos ter almas


Nem precisaríamos de nomes

11 de out. de 2011

medo


eu não tenho medo do vento
eu não tenho medo da rua
eu não tenho medo do sol
eu não tenho medo da lua
eu não tenho medo da vida
eu não tenho medo da sorte
eu não tenho medo do tempo
eu não tenho medo da morte
eu não tenho medo dos homens
eu não tenho medo dos bichos
eu não tenho medo da liberdade
eu não tenho medo das ditaduras
eu não tenho medo do nada
eu não tenho medo de tudo
eu não tenho medo do escuro
eu não tenho medo da luz
eu não tenho medo de mim
eu não tenho medo de você
eu não tenho medo de satanás
eu não tenho medo de Deus
eu não tenho medo de caminhar
eu não tenho medo de correr
eu não tenho medo de sorrir
eu não tenho medo de cantar
eu não tenho medo de pensar
eu não tenho medo de escutar
eu não tenho medo de falar
eu não tenho medo de sonhar


os meus medos
tento escondê-los de mim
são muitos

13 de set. de 2011

não vou colocar nome neste texto porque ninguém conversa usando título na fala e isto aqui pra mim, embora escrito, é uma espécie de conversa à distância. Outra coisa: também não terá revisão, pois da mesma forma, ninguém conversa e depois faz revisão. Imaginem o seguinte diálogo:
__Oi meu amigo....bla, bla, bla... --- agora espera um pouco que vou revisar. Veja bem.. no lugar de "oi meu amigo," ouça-se: "olá, amigo meu... ( rss)
Pois bem...fazem algumas semanas que lancei a ideia de "doar poemas ao mundo." Uma ideia megalomaníaca, concordo, daquelas que dificilmente dão certo, mas são divertidas. Mesmo assim, foram aparecendo outros malucos, doidos, pirados e todas as esquizofrenias juntas. (mas nenhum joga bomba nos outros..rs)
O Osório embarcou logo. Entusiasmadamente! O Théo veio em seguida com aquele sorriso de quem descobrira algo espetacular...rss... Depois, chegou com a notícia que sua mulher, a Fabiana, autora de um livro de poemas, "Desobjetos," além de participar, tinha dado uma dica sobre um site que incentiva e organiza a circulação de livros no mundo inteiro. O link: www.bookcrossing.com . Fui lá conhecer a novidade e gostei muito. Juntamos as coisas. A doação de poemas e o bookcrossing.
Eu, então, mandei imprimir cinco exemplares do meu "Fast Food, Solidão, Televisão, " juntei dois do "..planeta kabonga, " o Théo trouxe dois do seu "Poemas para serem encenados, " a Fabiana mandou dois do seu "Desobjetos" e o Osório entregou dez do "A história de Dabu - o antigo sábio chinês que foi o avesso de Buda" -- um livro de humor meio filosófico...rs
Aí começou a minha enrolação e dores. Bem no meio da empolgação uma cólica renal daquelas que eu pensei estar livre por muitos anos. Tinha ficado ainda um caco de pedra, após uma litrotripsia que fiz e quase me mataram! (claro que tou exagerando, mas não foi legal... rss) Enfim, as dores passaram.
O Osório vivia no meu pé cobrando nossa ida ao metrô. Bom, colei os dizeres de doação dos livros (poemas) e quando confirmei que podíamos ir, ele me avisou que estaria viajando para Brasília por algumas semanas. Cobinamos, então, que eu deveria ir sozinho a campo desta vez. Aí eu fui, fui, fui e acabei fondo! rs
Hoje. Horário do almoço. Livros nas sacolas. Larguei um no caixa eletrônico do Bradesco na Av. Paulista. Outro naquele espaço cultural ali da Cásper Líbero e peguei o metrô Trianon no rumo Ana Rosa e de lá, rumo Jabaquara. E fui deixando os livros nos assentos.
Numa das estações entrou um rapaz com um violão fazendo aqueles números em troca de dinheiro. Música sertaneja. Cantava bem. Afinado. "hoje a jiripoca vai piar, vai..." A indiferença era gritante no vagão. As pessoas vivem assustadas hoje em dia. Incomodadas. Puxei um livro e dei pra ele. Agradeceu com uma frase lacônica: __obrigado. Gosto de livros. -- não me pareceu muito sincero. Acho que preferiria moedas. Talvez sua objetividade fosse fruto da pressa e do medo da segurança do metrô. Ele olhava para os lados, assustado. Saí do vagão. Larguei outro livro nos bancos da estação. Estava na São Judas. Peguei o trajeto de volta. Outro livro no assento. Vou saindo e um senhor me avisa que esqueci o exemplar. Sorri pra ele e agradeci dizendo que era pra ficar mesmo. Ele retribuiu o sorriso sem entender o que se passava.
Por fim... (digo, "Por continuar," que outros dias e poemas virão) já no metrô Brigadeiro entreguei para um garoto, acompanhado, talvez, da mãe e avó, um livro extra que tinha incluido: "O Boto Raimundo - Defensor da Mata e Herói do Mundo." Falei pra ele:__tome pra vc ler em casa! -- Eles sorriram. Subi as escadas... e voltei ao trabalho.
Gostei! Essa brincadeira é boa!!!Vou continuar!!! Vamos????? É só pegar um livro antigo de poemas desses que vc esqueceu na estante ou em gavetas empoeiradas. Vamos dar voz aos nossos poetas esquecidos!!

quem quiser participar leia as orientações no post abaixo



vejam o texto de apresentação do Bookcrossing

"O que é BookCrossing?

É uma Biblioteca Mundial. É uma rede social inteligente e ativa. É uma celebração da literatura e um lugar onde livros ganham uma nova vida. BookCrossing é o ato de dar a um livro uma identidade única e, conforme o livro é passado de leitor a leitor, ele pode ser rastreado e assim unir seus leitores. Existem atualmente 962.950 BookCrossers e 8.211.011 livros viajando por 132 países. Nossa comunidade está transformando o mundo e tocando vidas de livro em livro.




Qual a nossa missão?

Muito simples, visamos conectar pessoas através de livros."